Ao aproveitar a realidade virtual, as experiências imersivas e os dispositivos inovadores, o metaverso oferece uma gama de soluções para o tratamento de transtornos mentais em escala global.
A saúde mental é uma preocupação premente há muito tempo. Mesmo antes da pandemia, essa já era uma preocupação significativa de proporções globais - de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, quase um bilhão de pessoas em todo o mundo viviam com um transtorno mental.
A pandemia da COVID-19 teve um papel crucial na aceleração dessa tendência. Os níveis sem precedentes de estresse, ansiedade e isolamento social agiram como catalisadores, ampliando as condições de saúde mental pré-existentes e desencadeando novas condições entre indivíduos de todas as idades e origens. Um estudo publicado na prestigiada revista The Lancet revelou que a prevalência de sintomas depressivos elevados entre adultos dos EUA aumentou significativamente nos últimos anos: 32,8% apresentaram esses sintomas em 2021, em comparação com 8,5% antes da pandemia. Essas estatísticas angustiantes ressaltam a necessidade urgente de abordagens inovadoras para lidar com a crise global de saúde mental.
"Não existe saúde sem saúde mental". A frase do Dr. Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatiza a necessidade fundamental de priorizar e integrar essa questão em nossa abordagem geral de saúde. Os transtornos mentais não são apenas predominantes, como também a maior causa de deficiências no mundo.
A saúde mental desempenha um papel profundo em todos os aspectos de nossas vidas. Desde nossos pensamentos e emoções até nossos comportamentos, ela nos permite enfrentar os desafios da vida com resiliência e adaptabilidade. No entanto, milhões de pessoas lutam contra sentimentos de ansiedade, medo, isolamento e depressão, sem acesso aos cuidados e ao apoio de que precisam.
O espectro de problemas de saúde mental é vasto e diversificado. Os mais comuns incluem transtornos de ansiedade (como ansiedade generalizada, pânico e fobia social) e de humor (como depressão e transtorno bipolar), transtornos psicóticos (como esquizofrenia) ou de personalidade (como traços de personalidade limítrofes), transtornos alimentares (como anorexia e bulimia) e problemas de uso de substâncias (relacionados ao abuso de drogas ou álcool).
Em meio a esse cenário, o metaverso oferece caminhos promissores para enfrentar os desafios da saúde mental. Criado pelo escritor de ficção científica Neal Stephenson, o metaverso refere-se a um espaço de realidade virtual em que os usuários podem interagir com um ambiente gerado por computador e com outros participantes. Ele oferece uma experiência multidimensional e imersiva, alimentada por várias tecnologias com diferentes funções, incluindo:
Novas tecnologias e metaversos provavelmente continuarão surgindo nos próximos anos, cada um com sua finalidade distinta e níveis variados de imersão.
O metaverso tem o potencial de aprimorar o acesso à saúde mental, abordando a atual escassez de profissionais nessa área, bem como melhorar a acessibilidade financeira a tratamentos de saúde mental, alcançando indivíduos em áreas remotas ou com restrições financeiras. Além disso, ele é promissor no fornecimento de cuidados personalizados de saúde mental, adaptando intervenções e suporte às necessidades e circunstâncias específicas dos indivíduos.
O setor de saúde adotou rapidamente o metaverso. Seu uso está em ascensão, especialmente para diagnosticar e tratar distúrbios de saúde mental, o que criou imensas possibilidades de crescimento dos negócios nesse setor.
Pesquisas extensas realizadas nas últimas duas décadas demonstraram a eficácia da tecnologia de realidade virtual (VR)no alívio dos sintomas de dor, ansiedade e estresse, além de melhorar as habilidades cognitivas e sociais. Como exemplo, a VR expõe gradualmente pessoas com ansiedade a gatilhos em um ambiente controlado, auxiliando no controle da doença. Da mesma forma, para a redução da dor crônica, a realidade virtual apresenta cenários e sons serenos da natureza para acalmar o paciente. Além disso, alguns dispositivos incorporam recursos, como narradores que orientam os usuários em exercícios de respiração ou ensinam lições sobre respostas à dor.
Os pesquisadores também reconhecem o potencial do uso de plataformas de jogos para apoiar o tratamento de saúde mental contra o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Essas plataformas ajudam a aumentar o envolvimento dos pacientes e desempenham um papel fundamental na redução do estigma que envolve os problemas de saúde mental.
Os chatbots com tecnologia de IA voltados à saúde mental também surgiram como ferramentas valiosas que apoiam e orientam as pessoas que lidam com ansiedade leve, depressão, estresse ou dependência. Eles podem servir como um complemento valioso para os serviços de apoio profissional, ajudando os usuários a cultivarem hábitos positivos e oferecendo estratégias de enfrentamento durante momentos difíceis. No entanto, é importante observar que os chatbots de saúde mental não foram projetados para substituir a terapia presencial e não devem ser usados para intervenção em crises durante emergências.
Outras tecnologias transformadoras emergentes que também podem afetar o tratamento de doenças mentais nos próximos anos são:
Tecnologias específicas que facilitam a entrada no mundo virtual, como headsets de VR e óculos de realidade aumentada, estão avançando rapidamente. No entanto, outros elementos necessários para um metaverso totalmente realizado, incluindo internet com velocidade suficiente e interoperabilidade padronizada, ainda podem exigir muitos anos de desenvolvimento.
É importante observar que, embora o metaverso tenha um potencial imenso, ele deve complementar as práticas existentes de cuidados com a saúde mental em vez de substituí-las. Ao aproveitar o poder da tecnologia de forma responsável e intencional, podemos oferecer soluções inovadoras para os necessitados e criar um futuro em que priorizemos e apoiemos a saúde mental, permitindo que as pessoas tenham uma vida plena, livre do fardo dos transtornos mentais não tratados.